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terça-feira, 10 de agosto de 2010

História: Machete a emissora que incomodava a Globo


A Rede Manchete foi fundada no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1983 pelo jornalista e empresário ucraniano naturalizado brasileiro Adolpho Bloch que permaneceu no ar até o dia 10 de maio de 1999.

A emissora foi inovadora através de seu moderno projeto visual. Belas vinhetas desfilaram na tela.

A programação da emissora foi marcada por altos e baixos durante a sua existência. A cobertura do carnaval carioca também teve grande destaque na programação da TV Manchete. A emissora mostrava os preparativos da grande festa popular do país com os programetes Feras do Carnaval e Esquentando os Tamborins, exibidos ao longo da programação. A cobertura do “Carnaval da Manchete” começou em 1984, ano de inauguração do Sambódromo carioca. A emissora de Adolfo Bloch conseguiu exclusividade nas transmissões daquele ano após desistência da Rede Globo, ocorrida por questões de ordem política (desavenças entre Roberto Marinho e Leonel Brizola). No ano seguinte (1985) a Globo voltou a transmitir os desfiles simultaneamente com a Manchete. Em 1988 a Manchete não transmitiu os desfiles por conta de um impasse com os organizadores dos desfiles.

Novelas de sucessos produzidos pela Manchete foram Dona Beija (1986), Helena (1987), Corpo Santo (1987), Kananga do Japão (1989), além da minissérie Marquesa de Santos (1984).

Um dos seus mais notáveis sucessos foi a novela Pantanal, exibida entre 1990 a 1991. Vieram outros como A História de Ana Raio e Zé Trovão (1991), Tocaia Grande (1995) eXica da Silva (1996), todas alcançaram grandes índices de ibope na época de exibição.

O canal se tornou conhecido também por exibir as diversas séries de tokusatsus e animes, todas de origem do Japão, com grande sucesso, que também foi responsável da introdução das produções japonesas no Brasil, que anos depois, outras emissoras de TVs abertas e assinaturas passaram exibir outros animes.

No final dos anos 1980 e boa parte dos anos 1990 eram exibidas as séries Jaspion,Changeman, Jiraiya, Flashman, Jiban, Lion Man, Black Kamen Rider, Maskman,Cybercops, Spielvan, Metalder, Kamen Rider Black RX, Patrine, Winspector e Solbrain. Graças ao grande sucesso dessas séries é que chegaram os animes Cavaleiros do Zodíaco(episódios e em OVA), Samurai Warriors, Shurato, Yu-Yu-Hakushô, Sailor Moon, Super Campeões e US Mangá.

Nos anos 1990 os programas infantis foram: Dudalegria, A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco em 1995. Além desses programas, eram exibidos desenhos considerados “clássicos” das décadas de 50, 60, 70 e 80: Calvin e o Coronel,Dartagnan e os Três Mosqueteiros, Don Quixote de la Mancha, Família Drácula, O Pirata do Espaço, Super Tiras, Patrulha Estelar, Superaventuras, Família Tró-ló-ló, Josie e as Gatinhas, Lorde Gato, Marmaduke, A Turma do Abobrinha, Goldie Gold e Manda-Chuva e os sitcoms Seinfield e Friends.

Outro nome famoso, que ganhou projeção na Manchete foi o do radialista Eloy Decarlo. Conceituado comunicador carioca, se tornou nacionalmente conhecido quando, por todo o tempo de existência da emissora, foi a “voz-padrão” das chamadas da programação do canal e das vinhetas, principalmente nos comerciais.

O jornalismo foi o carro-chefe da emissora. O Jornal da Manchete, o principal informativo do canal, trazia aprofundamento das notícias e comentários de grandes nomes do jornalismo brasileiro, como Carlos Chagas, Villas-Boas Corrêa, Zevi Ghivelder e Salomão Schvartzman, entre outros e comentaristas como João Saldanha. Também revelou os apresentadores Mylena Ciribelli, Cláudia Cruz e Alexandre Garcia que posteriormente transferiram-se para a Rede Globo.

Nos primeiros anos da emissora, o Jornal da Manchete ficava no ar por três horas, o que nunca ocorreu na história da televisão brasileira, já que os telejornais locais e nacionais da década de 1980 e anteriores, nunca ultrapassaram os 40 minutos de exibição. Sua primeira parte, dedicada ao noticiário cultural, era intitulado Panorama Manchete, apresentado por Íris Lettieri e Jacyra Lucas. Seguia o Manchete Esportiva, apresentado por Márcio Guedes e Paulo Stein. Ainda tinha o Debate em Manchete, com Arnaldo Niskier. Então vinha o noticiário com Carlos Bianchini e Ronaldo Rosas.

A emissora passou a usar certos apelativos como cenas de nudez em novelas como Dona Beija e Pantanal entre outras produções da casa e até espetáculos de strip-tease impróprios para o horário como o da jornalista Íris Lettieri na contagem regressiva para o carnaval e no programa de calouros de Raul Gil em horário vespertino além de programas de striptease com telessexo.

A partir de 1998 surgiu uma crise incontrolável na emissora. Salários atrasados, tentativas fracassadas de venda e programas que saíam do ar arranharam a imagem da estação, até que no dia 10 de maio de 1999 a emissora mudou de nome (passou a se chamar TV!) e de dono, encerrando a história iniciada em 1983

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