
Quando surgiu para a televisão num trabalho grande na extinta novelinha teen Alta Estação da Rede Record, ninguém sabia dizer ainda até onde iria a capacidade artística da, então desconhecida, atriz Andréia Horta. Com uma direção ruim, numa trama adolescente bem abaixo da crítica - inclusive pior que o roteiro da péssima Malhação - era difícil conseguir algum destaque positivo trabalhando nesta produção.
Mas ela conseguiu chamar a atenção da cúpula de dramaturgia da emissora -vale lembrar que antes, a atriz já havia participado da novela Prova de Amor, também da Record e da minissérie JK na Rede Globo, sem ter conseguido destaque - e se firmou entre o elenco da Rede. Seu primeiro grande trabalho fixo foi na série da HBO brasileira Alice, em que foi extremamente elogiada pela crítica que ficou espantada com sua atuação por ser tão jovem.
Em seguida, Andréia Horta retornou para a Record e atuou em Chamas da Vida, seu primeiro papel de destaque numa telenovela brasileira. Se Beatriz constava como uma personagem importante, porém coadjuvante, no início da trama, graças ao carisma e a capacidade de criação da atriz, a personagem tornou-se dona da novela escrita por Cristiane Fridman e se transformou em protagonista da história.
Todo este talento iria chamar a atenção da Rede Globo, mais cedo ou mais tarde e, dois anos após começar sua atuação na novela da Record, a Globo conseguiu contratar a atriz. Escalada para protagonista da série A Cura, de João Emanuel Carneiro, a atriz teria mais um desafio a vencer, afinal, ser protagonista de uma história escrita pelo autor mais badalado do momento e contracenar com dois grandes atores, como Selton Melo e Juca de Oliveira, além de um elenco de peso, não é uma tarefa das mais simples.
Andréia Horta poderia ter ficado tímida diante de tamanha responsabilidade, mas ela fez uma grande composição, inclusive recuperando o sotaque mineiro que havia perdido ao longo da vida, tudo para caracterizar a personagem Rosângela Guedes. Desde o primeiro episódio a atriz se destacou de forma positiva e mostrou uma incrível capacidade de composição de sua personagem, levando-a através de meandros da atuação que raramente são vistos dentro da Rede Globo em que tudo é muito ensaiado.
Se na primeira temporada toda a atriz conseguia elogios, no último episódio da temporada ela conseguiu o inexplicável. Praticamente no episódio todo a atriz dividia a atuação ora com Selton Melo ora com Juca de Oliveira e ora com Ary Fontoura, três nomes consagrados da TV brasileira. A atriz não se intimidou, mergulhou no texto, no sofrimento da personagem e, desculpem os três atores, mas Andréia engoliu-os e se tornou o maior destaque do episódio com uma atuação impecável, surpreendente, agressiva e merecedora de todos os elogios.
Andréia Horta já faz parte do casting fixo da Globo com contrato de longa duração. Está escalada para a 2ª temporada de A Cura, que deve voltar ao ar no 1º semestre de 2011 e já há negociação para que ela receba um dos papéis importantes na próxima novela de João Emanuel Carneiro no horário nobre, em 2012. De personagem em novelinha teen da Record em 2007 a um dos principais papéis na principal novela da Globo em 05 anos, a atriz torna-se, disparada, a maior revelação feminina dos últimos anos em atuação no Brasil. E com todos os méritos.
Escrito POR DANIEL CÉSAR
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